Detalhes do processo em que Fiat e Leo Burnett foram condenadas no caso MUDE. Logo mais o filho de Clarice Lispector, Paulo, também será processado por mim.

terça-feira

E a Leo Burnett teve a "coragem" de contestar...

A Leo Burnett, em abril de 2005, apresentou uma frágil e ridícula contestação à minha Ação Cautelar, porém já não mais defende que "o poema Mude é de Clarice" (sic), como cansou de afirmar publicamente. Apenas recusa-se a apresentar em Juízo o Contrato de Licenciamento, pelo qual diz ter obtido o absurdo "direito" (obviamente falso) de utilizar o meu texto na Campanha da Fiat.

A Agência, em sua contestação, pretende que eu mova uma ação judicial contra os herdeiros de Clarice Lispector, que, desonestamente, "venderam" o meu poema. Entretanto, minha intenção principal não é apenas receber pelos meus direitos autorais, e sim obter o reconhecimento público da Leo Burnett (e da Fiat) de que sou eu o autor do texto daquele
Comercial da Fiat.

Quero apenas desfazer esse "engano"...


O escritório de advocacia que defende a Leo Burnett é um dos melhores do Brasil. Apesar disso, o Exmo Sr. Juiz de Direito da 5a. Vara Cível deu ganho de causa a mim.

Eis a Sentença, publicada no Diário Oficial do Estado - Edição de 05/07/2005 - Arquivo: 1056 - Publicação: 16:

Foros Regionais Varas Cíveis II - Santo Amaro e Ibirapuera Varas Cíveis 5ª Vara Cível

583.02.2004.023175-0/000000-000 - nº ordem 1276/2004 - Medida Cautelar (em geral) - EDSON LUIZ MARQUES SANTOS X LEO BURNETT PUBLICIDADE LTDA. - 87/92 - Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE a presente medida cautelar de exibição de documentos requerida por EDSON LUIZ MARQUES SANTOS contra LEO BURNETT PUBLICIDADE LTDA, e o faço com fulcro no art. 844, II, do C.P.C., para condenar a suplicada a exibir o contrato firmado entre as partes, no prazo de cinco (05) dias. Arcará a ré com o pagamento das custas processuais, atualizadas, bem como honorários de advogado, fixados com base no artigo 20, § 4º, do Código de Processo Civil, em R$_700,00, reajustados a partir desta sentença. P.R.I. - ADV OTAVIO RIBEIRO OAB/SP 35041 - ADV DURVAL AMARAL SANTOS PACE OAB/SP 107437

O caso continua na Justiça.

Processo n. 002.04.023175-7
Na 5a. Vara Cível do Foro Regional de Santo Amaro - São Paulo.

Uma síntese do caso.

Como se sabe, a Leo Burnett encontrou o meu texto na internet, acreditou que fosse de autoria de Clarice Lispector, não checou as fontes, usou o poema para "criar" um comercial para a Fiat do Brasil, e divulgou releases à mídia declarando falsamente que o poema "Mude" havia sido escrito por Clarice Lispector. Após ter sido alertada por mim, a Leo Burnett disse ter consultado os "herdeiros de Clarice" - e estes, desonestamente, absurdamente, firmaram um extravagante "Contrato de Licenciamento" de uma obra que nunca foi de Clarice!. Para esses "herdeiros", aparentemente, o fato de o texto não ter sido escrito por Clarice Lispector não tinha a mínima importância. Para esses indivíduos, parece que o mais importante era receber algum dinheiro de uma agência de propaganda desatenta e irresponsável. Ora, a própria Leo Burnett dizia que o poema "era de Clarice" (sic). Então, sacaram do coldre a Lei de Gerson... E a morta voltou a escrever!

(Já pensou se a moda pega?)

O Poema.

Amplamente divulgado na internet, tal poema pode ser encontrado em milhares de sites. Veja um deles em
Arte Livre - Literatura. Em fins de 2003, após Contrato de Licenciamento que firmei com a Sony Music, o poema Mude foi gravado por Pedro Bial no CD Filtro Solar. No teatro, foi interpretado pelo genial Antonio Abujamra, durante meses, na peça Mephistópheles, e também no Programa Provocações da TV Cultura, onde concedi entrevista recentemente sobre o tema.


O Comercial da Fiat.

Belíssimo, esse comercial, com dois minutos de duração, foi veiculado em âmbito nacional pela Rede Globo, durante uma semana, e no SBT em duas oportunidades. Pode ser visto
AQUI. Após entrar, dê um click em "O Semelhante". Neste site é possível até comparar as duas versões do Filtro Solar: a original (Sunscreen), e a gravada por Pedro Bial.




O autor.

Edson Marques escreveu o poema "Mude" na década de 1990, à época do lançamento do seu livro
"Manual da Separação". Depois, em face do sucesso alcançado por esse texto na internet, efetuou o devido Registro no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura, sob número 294.507, Livro 534, Folha 167.


O engano.

Alguns sites atribuem a autoria do poema Mude a, erradamente, entre outros,
Paulo Coelho, a Cecília Meirelles, a Pedro Bial e a Clarice Lispector — entre outros.


O mergulhador.

O sr. Alexandre Skaff, à época criativo da Leo Burnett, deve ter copiado meu poema "Mude" na internet, e não checou suas fontes, como seria o procedimento esperado de um profissional de propaganda. E também declarou ter "mergulhado na obra de Clarice Lispector" para "criar" o comercial da Fiat.


A mentira.

O sr. Alexandre Skaff, redator da Leo Burnett, disse também que, nesse mergulho na obra de Clarice Lispector, "encontrou" (sic) o poema Mude - com o qual então "redigiu" o comercial da Fiat.


Eis alguns releases publicados pela grande imprensa:




Jornal da Tarde:


Estadão:



Os releases.

A Leo Burnett, sem checar suas fontes, e acreditando no que lhe disse o "mergulhador" Alexandre, divulgou releases à mídia, afirmando erradamente que o poema Mude havia sido "escrito por Clarice Lispector". (sic)


Os herdeiros.

Consultados por engano pela Leo Burnett, os herdeiros de Clarice Lispector cuspiram na face da Ética e se portaram de uma forma lamentável: firmaram, ilicitamente, um inacreditável
Contrato de Licenciamento de uso do poema "Mude", e, segundo o advogado da Leo Burnett, Dr. Durval Pace, acabaram recebendo dinheiro pela venda - não autorizada - de uma criação intelectual de Edson Marques...


E a Leo Burnett, ainda sem checar as fontes, acabou propiciando a realização dessa transação irregular. Não estou preocupado com o dinheiro que os herdeiros de Clarice Lispector embolsaram desonestamente com a venda de um texto que escrevi - mas
exijo que a Leo Burnett reconheça que o autor do poema Mude sou eu.


O plágio.

Os "herdeiros de Clarice", provavelmente com base nas falsas informações da Leo Burnett, portanto, e com certos propósitos inconfessáveis, passaram a dizer, com absoluta má-fé, que o poema Mude havia sido escrito por Clarice Lispector...(sic)


Como se vê, Clarice Lispector - falecida em 1977 - acabou cometendo um plágio póstumo em 2001...


Quando dizemos uma verdade, ela se sustenta por si. Mas, quando dizemos uma mentira, precisamos de mais duas para sustentá-la.

Então, a Leo Burnett, o advogado da Leo Burnett e os herdeiros de Clarice - todos eles ao mesmo tempo - foram se enredando numa trama de mentiras e desculpas - que dava dó. Quanto mais falavam, mais se complicavam. Eu olhava para eles e os via num balaio de baratas tontas. Farinhas de um mesmo saco. Os coitados foram se enforcando na própria corda...

Confesso que houve um tempo (quando apertei demais na exigência de provas) em que supus que eles poderiam até falsificar uma prova de que Clarice tivesse escrito o poema Mude. Mas, é bom que se diga,
esse crime eles não chegaram a cometer.

Ainda.

Como sou escritor, tem gente que pensa que estou inventando essa história mirabolante, só pra vender livro. Mas, não: tudo está devidamente documentado - e poderá ser visto nos autos assim que ajuizarmos uma Ação contra a Leo Burnett, numa das Varas Cíveis de São Paulo.


São dezenas de e-mails que recebi do advogado da Leo Burnett. Todos muito bem guardados. Depois de autorização judicial, pretendo publicá-los aqui.

Em fins de abril de 2004, esse advogado ainda arrisca sua credibilidade dizendo, formalmente, que mantém sua convicção de que o poema Mude foi "escrito por Clarice Lispector". (sic)

(Talvez essa sandice seja apenas uma estratégia de defesa dele, quem sabe...)

Veremos.



A morta.

Acontece que
Clarice Lispector morreu em 1977, sem nunca ter escrito poesias. E tenho certeza absoluta de que Clarice sequer chegou a ler o poema Mude, posto que eu o escrevi cerca de vinte anos depois que ela morreu!


Paulo Coelho.

Alguns sites (inclusive o próprio) já publicaram o poema "Mude" como sendo de
Paulo Coelho. Mas esse escritor, embora elogiando as qualidades do texto e plagiando certas frases no Twitter e Facebook, negou ser o autor do "Mude", tanto em sua coluna no Jornal do Brasil, ano passado, quanto recentemente no site Guerreiros da Luz.

Apesar disso, suponho que os herdeiros de Paulo Coelho jamais venderiam um poema alheio: são, aparentemente, decentes!

Já os herdeiros de Clarice aplicaram a "Lei"...

A Lei de Gerson...


Cecília Meirelles.

Outros sites também ainda dizem que o poema "Mude" é de
Cecília Meirelles.

Mas nem por isso os herdeiros de Cecília Meirelles pensariam em vender tal poema. (Em verdade, nem sei se Cecília tem herdeiros. Mas, caso os tenha, suponho serem honestos.)

Já os herdeiros de Clarice apenas aplicaram a "Lei"...

A Lei de Gerson...


O esclarecimento.

A Revista Veja, em sua edição de 09 de julho de 2003, página 103, esclareceu definitivamente que o verdadeiro autor do poema Mude é Edson Marques.


Alguns também dizem que é do Pedro Bial. Veja esse vídeo abaixo:






O delito.

Os herdeiros de Clarice Lispector, mesmo após serem notificados a respeito desse engano, e numa tentativa burra de dar mais um pouquinho de fôlego ao ilícito e moribundo Contrato com a Leo Burnett, continuam declarando, pateticamente - segundo o advogado Durval Pace - que tal poema "foi escrito por Clarice Lispector" (sic).

(Eu realmente não sei aonde esses indivíduos querem chegar, nesse caso.)


As provas.

Mais de dois anos depois de terem firmado com a Leo Burnett - ilicitamente - um Contrato (ilícito) de Licenciamento do poema Mude, os herdeiros de Clarice ainda não têm provas nem evidências de que a grande escritora escreveu tal poema. Porém, baseados na "Lei" (na Lei de Gerson! - repito ), esses herdeiros venderam o meu poema, e agora querem conversar comigo. Virão do Rio a São Paulo, só para isso! Segundo a Leo Burnett, querem justificar "não-sei-o-quê". Então pedi-lhes que trouxessem uma "prova" de que Clarice escreveu o poema Mude.

Ao menos uma prova...

Eu estaria disposto a aceitar qualquer documento como prova:

Poderia ser um livro publicado em Portugal, um guardanapo sujo rabiscado antes de 1977, um papelzinho encontrado na gaveta de um velho criado-mudo em São João do Meriti, um original escrito à mão em pergaminho, uma fita cassete gravada com voz rouca, o testemunho de um biógrafo insensato - ou a até mesmo a jura de um amante encalacrado...

Qualquer coisa!

Mas, os "herdeiros" ainda não conseguiram encontrar nenhuma dessas "provas"...


O filho... de Clarice!

Paulo Gurgel Valente - filho de Clarice Lispector - , mais de trinta meses após ter sido firmado o falso "Contrato de Licenciamento" do poema Mude, ainda não sabe em qual obra da mamãe está contido tal poema. Mas, segundo declarou oficialmente o advogado da Leo Burnett, dr. Durval Pace, esse sr. Paulo Gurgel Valente (valente?!) garante (garante?!) que o poema Mude foi escrito por sua mamãe...

Veja bem: ele diz que garante - mas não tem provas...

(Uma vez me disseram que "todo gênio gera um babaca". Estou quase acreditando!)


O filho de Iracy.

Eu, no lugar dele, jamais diria que o poema Mude foi escrito por minha mãe...

Sinceramente - eu, no lugar dele, não teria coragem de sujar a honra da própria mãe!



Dez mil dólares.

Após conversas com Marcello Queiroz, então diretor de Redação do Jornal Propaganda & Marketing, publiquei anúncio nesse Jornal, na edição de 23 de julho de 2001, página 14, oferecendo dez mil dólares a quem provasse que o poema "Mude" foi escrito por Clarice Lispector.

Até hoje não apareceu ninguém para receber os dez mil dólares!

Qualquer pessoa que encontrar o poema Mude - em algum livro, em alguma obra, em alguma carta, em alguma velha bolsa preta de Clarice Lispector - pode apresentar-se para receber esses dez mil dólares. É só telefonar para o meu advogado, Dr. Otávio Ribeiro, OAB/SP 35041, fone (11) 2941.7733 ou 2198.1375. A prova poderá ser mandada por fax, por internet, pelo Correio, ou até pelo bico de um pombo - que depositaremos o dinheiro na respectiva conta bancária, devidamente convertido em reais pelo câmbio do dia!


A Recíproca.

Já pensou - já pensou se fosse o contrário?!

Já pensou se fosse eu que tivesse vendido um texto de Clarice?!

Se fosse eu que tivesse firmado um Contrato ilícito com uma agência de publicidade, "licenciando" o uso de um texto escrito por Clarice Lispector?!

Eu seria considerado o quê?

Repito: se fosse o inverso - se fosse eu que tivesse roubado um texto de Clarice e vendido-o como se meu - qual seria o adjetivo que se me aplicaria, com base no Código Civil Brasileiro?

Mas o inverso nunca vai acontecer: um poeta não rouba texto alheio!


O prêmio.

O comercial Mude ganhou Bronze Institucional no
Prêmio Colunistas de 2002, certame que teve como Presidente do Júri, coincidentemente, o mesmo sr. Marcello Queiroz, então Diretor de Redação do próprio jornal em cuja sede mantivemos reunião em julho de 2001, quando decidi colocar aquele anúncio, oferecendo dez mil dólares a quem provar que o poema Mude foi escrito por Clarice Lispector.


A Agência.

A Leo Burnett, mesmo não tendo provas do que afirma, ainda diz manter, em maio de 2004, a convicção de que o poema Mude foi escrito por Clarice Lispector.(sic).

Como se vê, a Leo Burnett ainda não aprendeu a checar suas fontes!

Parece que lá ninguém sabe da existência do
Google.

Entretanto, tem uma coisa que essa Agência vai ter que reconhecer para o resto da vida:

O texto de um dos mais belos comerciais da Leo Burnett foi escrito por Edson Marques.

Espontaneamente, ou por determinação judicial - mas terá que reconhecer...


Aliás, o fato de ser eu o autor do poema Mude não vai modificar em nada a essência do comercial da Fiat. O texto é o mesmo. O filme já foi feito e veiculado. O fato de ser eu o autor (e não Clarice Lispector) não tornará o comercial nem melhor nem pior. Por isso é que não se consegue compreender a razão de a Leo Burnett insistir nessa farsa. Já foram descobertos. Já foram pegos. Por que deixar o caso tornar-se um escândalo? Por que essa tentativa boba de enrolar-me por mais tempo, se isso vai - necessariamente - forçar-me a levar o caso Mude aos Tribunais?


O advogado.

Durval Amaral Santos Pace, advogado que a Leo Burnett designou para conversar comigo, em vez de buscar um esclarecimento científico dos fatos, encampou a "tese" dos herdeiros - e hoje nada mais faz do que repetir ambigüidades e comportar-se estranhamente como um simples advogado dos herdeiros. Como advogado, cumpre o seu papel, mas de forma, a meu ver, incompreensível.
Esse advogado continua dizendo (em fins de abril de 2004) que "mantém a convicção" (sic) de que o poema "Mude" foi escrito por Clarice Lispector - mas nunca apresentou-me documento algum que suporte essa convicção, essa crença absurda...


De tanto ouvir declarações desse tipo, contrárias ao bom senso e distantes da Lógica, sem fundamento e desprovidas de rigor - cansei-me delas. Então, num e-mail que enviei ao advogado da Leo Burnett em 09 de maio de 2004, escrevi o seguinte:

"Espero que um dia - brevemente, queira Deus! - possamos (ou sejamos forçados a) publicar o conteúdo dessas correspondências que trocamos, para que o público possa inteirar-se dos absurdos a que minha inteligência foi submetida nesse período. Dr. Durval, sei que V. Sa., ao defender o que diz que dizem os "herdeiros de Clarice" e a Leo Burnett, está cumprindo um papel. Apenas um papel. Por isso, desculpe-me pela franqueza, mas tem horas (nessas conversas que mantemos sobre o caso Mude) que eu penso estar dialogando com crianças mentalmente retardadas que inventam desculpas quando pegas cometendo travessuras."

Toda mentira, para ser aceitável, tem que ter um mínimo de verossimilhança...

Em face disso, tenho vontade de sugerir ao Ministério da Educação que a cadeira de Lógica, futuramente, passe a ser obrigatória nos cursos de Direito no Brasil.


A Notificação Extrajudicial.

Edson Marques, depois de mais de trinta meses conversando, telefonando, trocando e-mails e reunindo-se com o advogado da Leo Burnett (tudo infrutiferamente) decidiu formalizar sua denúncia e encaminhou, em 11 de março de 2004, Notificação Extrajudicial ao Diretor-presidente da Leo Burnett Publicidade Ltda, sr. Renato Loes.




Cópia da Notificação Extrajudicial

(Escrita por Edson Marques, autor do poema "Mude")


São Paulo, 11 de março de 2004

Leo Burnett Publicidade Ltda
Av. das Nações Unidas, 12.995
São Paulo - SP
CEP 04578-050

Sr. Renato Loes

Diretor-Presidente:

Ref. Notificação Extrajudicial


Sou o autor do poema "Mude", cujo texto foi utilizado pela Leo Burnett - sem minha autorização - no Comercial Institucional dos 25 anos da Fiat no Brasil, publicado com a seguinte ficha técnica:

Direção de Criação: José Henrique Borghi / Bruno Prosperi.

Redação: Alexandre Scaff.

Direção de Arte: Carsus Dias.

Produtora de Filme: Academia.

Produtora de Áudio: Sax So Funny.

Direção do Comercial: Hugo Prata.

Atendimento: Denise Millan.

Aprovação: Lélio Ramos / Carlos Murilo Moreno.


Ressalvo que na gravação desse referido comercial incluiu-se uma frase ("a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena"), cujo autor desconheço. Portanto, exceto a frase acima, todo o texto utilizado no citado comercial é de minha exclusiva autoria, e faz parte do poema "Mude", escrito por mim, com grande veiculação na internet, e devidamente registrado na Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura, sob número 294.507, Livro 534, Folha 167.

A divulgação - a meu ver levemente descuidada - feita à mídia oficialmente pela Leo Burnett (com base na falsa informação do seu então funcionário Alexandre Skaff de que tal poema "era de Clarice Lispector") causou, pela sua amplitude, profundos e extensos danos à minha imagem de escritor - motivo principal desta Notificação e pelo que também espero a devida reparação. Lembremos que o sr. Alexandre Skaff disse ter "mergulhado na obra de Clarice Lispector" (sic) para inspirar-se e enfim "encontrar" (sic) o poema Mude... Há que se lembrar, ainda, que eu mandei e-mails para a Leo Burnett e para a Fiat do Brasil no mesmo dia da primeira veiculação desse comercial na TV Globo, 08 de julho de 2001. Em 27/08/2001 mandei novo e-mail para a Leo Burnett, com cópia para Marcello Queiroz, então Diretor de Redação do Jornal Propaganda & Marketing, veículo onde, na edição de 23 a 29 de julho de 2001, página 14, eu fizera publicar um anúncio referente ao tema. Nesses e-mails eu já assegurava veementemente ser o autor do poema "Mude", utilizado no citado comercial da Fiat. Até hoje, estranhamente, não recebi resposta a esses e-mails. Aliás, hoje pela manhã, a Srta. Fátima Góes, após telefonema gerado por mim, retornou ligação dizendo, em linhas gerais, pelo que pude entender, que V. Sa. não tem total conhecimento desse caso. Permita-me portanto esboçar, em defesa do meu ponto de vista, um breve relato do que se passou.


A divulgação feita pela Leo Burnett acabou de certo modo impedindo que fosse publicado em 2001 o livro "Solidão a Mil", inicialmente pela Editora Palas Athena, posto que tal poema estava contido nesta obra, comprovadamente, desde antes da veiculação do comercial na TV Globo e no SBT, e eu achei por bem aguardar o desfecho do caso. (Só não imaginava que fosse demorar tanto...)


A Revista Veja, com sua respeitável credibilidade, na edição de 09 de julho de 2003, página 103, publicou matéria sobre a autoria do poema "Mude", creditada obviamente a mim. Detalhes podem ser vistos, desde meados de agosto de 2003, na página http://www.desafiat.weblogger.com.br . Mesmo assim, no mês de novembro de 2003, na Semana de Publicidade da PUC de São Paulo, um profissional da Leo Burnett, creio que Márcio Juniot, apresentou publicamente o mesmo filme (o comercial da Fiat com o poema "Mude"), e continuou afirmando, erradamente, ainda em evidente prejuízo da minha imagem de escritor, que o texto "Mude", base do comercial da Fiat, era "de autoria de Clarice Lispector" (sic).


Depois de uma intensa, cordial e prolongada troca de e-mails que mantive com Dr. Durval Amaral Santos Pace, brilhante advogado da Leo Burnett e, por decorrência, também da Fiat do Brasil; depois de duas reuniões nos escritórios desse advogado (agosto de 2002 e agosto de 2003), e depois de dezenas de telefonemas, e principalmente porque de todo esse procedimento resultou um impasse, na medida em que Dr. Durval Pace, embora sem apresentar provas, me assegurou que "a Leo Burnett tem convicção de que o poema Mude foi escrito por Clarice Lispector", venho NOTIFICAR V. Sa. para, no prazo de cinco dias, formalizar publicamente tal "convicção" ou, alternativamente, realizarmos uma reunião na sede da Leo Burnett Publicidade Ltda, com a minha presença, bem como de um representante da Fiat do Brasil, além da indispensável presença do advogado Dr. Durval Pace, sob pena de, decorrido o prazo supra mencionado - e em face de eu já ter tentado todas as alternativas consensuais - promover ajuizamento de Ação competente, certamente com ônus e aborrecimentos maiores.


Como Dr. Durval Pace havia pedido para que eu não divulgasse esse assunto à mídia enquanto estivéssemos em negociação, eu em parte concordei - embora não consiga crer serem os Direitos Autorais uma questão de "convicção" ou de "fé". Na entrevista que concedi recentemente a Antonio Abujamra, no programa "Provocações" da TV Cultura, não citei o nome da agência Leo Burnett, conforme me sugerira o advogado Dr. Durval Pace. Porém, findo esse prazo de cinco dias, vou considerar-me livre para conceder entrevistas a todos os meios de comunicação que já me procuraram ou que me consultarem a partir de agora, e darei a minha versão da história, que repousa basicamente na seguinte e segura proposição:


"Sou o autor do poema Mude, e a Leo Burnett não teve o devido cuidado em checar suas fontes ao criar um comercial para a Fiat do Brasil, supondo erradamente que o texto não poderia não ser de Clarice Lispector".


Espero alguma determinação administrativa de V. Sa. no sentido de uma verificação de quantas outras vezes tal filme publicitário foi apresentado pela Leo Burnett (ou por outras empresas ou pessoas com autorização da Leo Burnett) e teve ligado a ele, erradamente, o nome de Clarice Lispector. Também espero que os diretores e todos os funcionários da Fiat do Brasil e da Leo Burnett sejam formalmente comunicados a respeito dessa questão, o mais breve possível.


Considero conveniente que a Leo Burnett, até que venhamos a assinar o respectivo, prioritário e verdadeiro Contrato de Licenciamento do meu poema "Mude", suspenda as veiculações de tal comercial, privadas ou públicas, a qualquer pretexto. Também gostaria de ter uma cópia VHS do referido comercial para meu arquivo pessoal.


Não me cabe analisar eventuais alegações de terceiros. Minha questão sempre foi e ainda é apenas e tão somente com a Leo Burnett Publicidade e, em última instância, com a Fiat do Brasil, que fizeram uso indevido e não autorizado de uma produção intelectual minha. Ressalto ainda que a Leo Burnett está demorando muito a reconhecer que pode ter cometido uma falha ao não checar suas fontes, causando com isso danos enormes à minha imagem de escritor, danos esses que, repito, merecem imediata e rigorosa reparação. É preciso que lembremos que os releases da Leo Burnett (falsos no que tange à autoria do poema "Mude") tiveram ampla repercussão na mídia.


Impressiona-me também, de forma negativa, o insucesso da Leo Burnett em obter dos "herdeiros de Clarice Lispector" as supostas provas de que seriam tais "herdeiros", hipotética e absurdamente, os "detentores dos direitos autorais" (sic) do meu poema "Mude". Aliás, eu não dei procuração aos "herdeiros de Clarice Lispector", nem a quaisquer outros "herdeiros", para que negociem direitos autorais meus.


Também estranha-me que a Leo Burnett, uma grande agência, ainda não tenha resolvido um caso tão simples, mas que envolve, de forma radical, o seu maior cliente, a Fiat, na importantíssima Campanha dos 25 anos da Fiat no Brasil, orçada em R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais), e em cuja tão alardeada festa de lançamento estiveram presentes, além da mídia nacional e estrangeira, a Diretoria da Leo Burnett, o governador de Minas Gerais, o presidente mundial da Fiat, Paolo Cantarella, o superintendente do grupo, Roberto Testore, e centenas de outros formadores de opinião.


Ressalto que, além do recebimento pelos direitos autorais (no mínimo, nos mesmos moldes supostamente feitos aos tais "herdeiros de Clarice Lispector"), venho pleitear ressarcimento por todo o tempo que dediquei a ficar demonstrando (em páginas de internet, em reuniões com advogados, palestras, entrevistas, chats e em conversas com amigos e leitores) uma verdade que saltava aos olhos desde o primeiro momento, mas que, por inexplicável incompreensão, a Leo Burnett e notadamente seu advogado Dr. Durval Pace - ainda que de forma extremamente elegante - recusaram-se a admitir até agora. Mas, felizmente para mim, "contra fatos não há argumentos".


Espero, pois, que a Leo Burnett, como parte do ressarcimento que ora proponho, também venha a divulgar, dentro de trinta dias, (da mesma forma, com a mesma duração e nos mesmos veículos ou locais) a informação correta sobre a autoria do poema "Mude", texto do citado comercial, que, convenhamos, ficou belíssimo!


Com ironia - mas verdadeiramente - continuo oferecendo US$ 10,000 (dez mil dólares) a quem provar que Clarice Lispector é a autora do meu poema "Mude", conforme anúncio que fiz publicar no Jornal Propaganda & Marketing, diretamente com seu Diretor de Redação Marcello Queiroz, que aliás foi Presidente do Júri que concedeu Medalha de Bronze Institucional ao comercial "Mude" no Prêmio Colunistas de 2002. Essa oferta financeira é válida a qualquer cidadão brasileiro, mas é agora especialmente dirigida ao sr. Alexandre Skaff (que, segundo alguns jornais, disse "ter mergulhado na obra de Clarice Lispector"...) e mais especialmente ainda aos tais "herdeiros de Clarice", que chegaram a firmar, segundo o dr. Durval Pace, um inacreditável "contrato de licenciamento" do poema "Mude" com a Leo Burnett -- contrato esse que não sei se realmente existe, posto que o advogado Durval Pace não pôde mostrar-me a respectiva cópia. E se tal contrato existe, ainda que absurdo, gostaria de conhecer-lhe o conteúdo imediatamente, pois custa-me crer que "os herdeiros de Clarice" tenham sido tão "descuidados", ao ponto de receber pelos meus direitos autorais - o que configuraria uma fraude...


Aliás, se não for uma fraude será um escândalo. Porque eu, um filósofo marxista (que suponho não ter ainda o dom da psicografia); poeta; sócio-fundador da Ordem Nacional dos Escritores, ocupando a cadeira número 6, cujo patrono é Graciliano Ramos; Diretor de Comunicação do Clube de Poesia de SP na gestão Ives Gandra da Silva Martins; autor, entre outros livros, do "Manual da Separação" (Ed. Filosoft, SP, 160 págs, 1998); único vencedor do Prêmio Cervantes/Brasil/Ibéria/93, categoria "Narración em Portugués"; que já participei de inúmeras antologias poéticas desde a década de 1970; que não sou apenas um aventureiro metido a besta querendo fama; que tenho um Contrato com a Sony Music licenciando esse mesmo poema "Mude" para que fosse - como realmente foi - gravado no CD "Filtro Solar" do Pedro Bial; porque eu, repito, aos 51 anos de idade, ao declarar peremptoriamente que sou o verdadeiro autor do poema "Mude", estou arriscando para sempre a minha reputação intelectual.


Veremos.


Detalhes do que ora afirmo e defendo, bem como cópias de e-mails e de alguns documentos relativos à questão "Mude", já foram por mim entregues, no decorrer dos últimos dois anos, ao advogado da Leo Burnett e da Fiat do Brasil, dr. Durval Amaral Santos Pace, OAB/SP 107.437, fone (11) 3285-2410.


Por último, esclareço que esta NOTIFICAÇÃO, além da legítima Defesa dos Direitos Autorais - que me parece primordial - expressa o mero espírito de concórdia, numa última tentativa de resolver a questão de forma amigável. Aliás, já está na hora de resolvermos de vez esse assunto, posto que não me agrada compartilhar à força a autoria do poema "Mude" com a falecida Clarice. Mesmo porque nossos estilos são muito diferentes, e ela, segundo seus biógrafos, nunca escreveu poesia!


A resposta de V. Sa. poderá ser dada, no prazo estabelecido, diretamente a mim, no endereço abaixo e/ou pelo e-mail liberdata@hotmail.com, ou pelos telefones (13) 8127.8770 ou (13) 9743.2835.

Atenciosamente,

Edson Marques.

Estou enviando cópias desta Notificação exclusivamente para:

Fiat do Brasil;

Dr. Durval Amaral Santos Pace;

Denise Millan - Diretora de Atendimento da Leo Burnett e responsável pela conta da Fiat.


A contra-Notificação.


A Leo Burnett, numa desesperada tentativa de salvar as aparências, talvez não querendo assumir que errou nos releases já divulgados à mídia, declara oficialmente - num discurso cheio de incoerências e contradições grosseiras - que não tem provas que sustentem suas "convicções", mas "garante" (sic), com base no que lhe asseguram os "herdeiros", que o poema foi escrito por Clarice. E o que é pior: a Leo Burnett diz que não lhe compete ter provas (sic) de que o poema Mude foi escrito por Clarice Lispector. E acaba sugerindo, oficialmente, que os herdeiros de Clarice apresentem tais provas diretamente ao escritor Edson Marques (sic!).


Acontece que, além de supor que certas responsabilidades não podem nem devem ser transferidas, eu não tenho nenhum interesse em conversar com esses comerciantes de obras alheias.

A Praça da República.

Essa atitude da Leo Burnett parece aquela história do pobre coitado que comprou a Praça da República, e depois, descoberto o engodo, pede à Prefeitura de São Paulo que vá se haver com o vendedor...

(Espero que não seja preciso explicar a piada).


Os comerciantes do Rio.

A Leo Burnett quer que eu converse com os "herdeiros de Clarice". A Leo Burnett sugere que eu deva encontrar-me com tais herdeiros, para que ouça deles as "razões" pelas quais firmaram (por engano?!) o Contrato de Licenciamento do meu poema Mude. Ou seja, algumas pessoas venderam, sem minha autorização, uma criação do meu espírito - como se fosse uma criação do espírito de Clarice Lispector. Esses "comerciantes", esses "negociantes de obras alheias", (por engano, por burrice, por má-fé ou por dinheiro - ou por tudo isso de uma vez só) acabarão sujando a honra de uma das maiores escritoras do Brasil.

Ora, por que deveria eu conversar com esse tipo de gente?


O absurdo.

Meu poema Mude ajudou a Fiat a vender mais automóveis.





Meu poema Mude permitiu que a Leo Burnett fizesse um belo negócio com a Fiat. Afinal, essa Campanha teve um orçamento de R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais).

Um texto que eu escrevi foi copiado literalmente pela Leo Burnett ao "criar" o comercial da Fiat.

E os releases mentirosos da Leo Burnett levaram o público a supor que sou um plagiador de mim mesmo...

Deveria eu ficar quieto?


O comercial da Fiat.

Se puder, veja aqui o
Comercial da Fiat - no Youtube. 

O poema Mude.

Depois, compare com o meu poema "Mude" num dos seguintes endereços:
Blog Mude
Arte Livre.
Galaxia Alfa.


O vídeo "Mude".

Criado pela extraordinária designer
Camila Bossolan, o Vídeo Mude, na sua segunda versão, demora cerca de três minutos para ser carregado, mas é lindo! A trilha sonora é de Tom Petty. Veja-o, na primeira versão. É maravilhoso! Depois de vê-lo, tua vida vai mudar...


O Código Civil.

Em síntese, os chamados "herdeiros de Clarice" venderam algo que não lhes pertencia.

No Código Civil - repito - isso tem um nome...

A Lei dos Direitos Autorais.


Lei 9610 - de 19 de fevereiro de 1998.


A síntese.

Neste caso do poema "Mude", neste caso do Comercial da Fiat, a honestidade dos envolvidos não está igualmente distribuída. Nunca vai estar!

Ou é a Leo Burnett e os herdeiros de Clarice Lispector que estão falando a verdade - ou é o escritor Edson Marques que está falando a verdade.

Ou o filho de Clarice é um sujeito sério, que merece respeito - ou é um mentiroso.

Ou o escritor Edson Marques escreveu mesmo o poema "Mude" - ou é um plagiador.

Temos que optar por um dos dois: ou o filho de Clarice - ou o poeta Edson Marques.
Um dos dois está mentindo.

Qual deles será que se apropriou (ilicitamente) de um texto alheio?


Por que deixar esse assunto pendente por mais tempo?

Convenhamos: ou o sr. Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice Lispector, não passa de uma espécie de "plagiador hereditário", ou o poeta Edson Marques pirou de vez.

Apenas hipoteticamente, e radicalizando na metáfora: ou o filho de Clarice Lispector tem que ser processado imediatamente, por ter vendido uma obra alheia (e embolsado cerca de quarenta mil dólares por conta disso) - ou o poeta Edson Marques tem que ser processado imediatamente por ter plagiado um poema de Clarice Lispector...


Em suma:

- ou foi
Clarice Lispector que escreveu o poema "Mude";

- ou foi o escritor
Edson Marques que escreveu o poema "Mude".

Não há terceira hipótese possível!


Edson Marques mostra o Registro no Escritório de Direitos Autorais do Ministério da Cultura.

Poema "Mude" - Autor: Edson Marques Fundação Biblioteca Nacional Ministério da Cultura Registro número 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167

O filho de Clarice mostra apenas um Recibo de Venda...



Edson Marques continua publicando o poema Mude em seu
Blog Literário, e dando entrevistas sobre o assunto. As mais recentes foram concedidas ao Abujamra na TV Cultura, e a Vanessa di Sevo na Rádio CBN. E já tem outra agendada para a Rádio Brasil 2000, com Rosa Freitag e Kid Vinil.

Mas, quando se trata do "caso Mude", o filho de Clarice se esconde dos repórteres...


Edson Marques firmou recentemente um Contrato de Licenciamento com a
Sony Music, para que tal poema fosse (como foi) gravado por Pedro Bial no CD "Filtro Solar".

Entretanto, o filho de Clarice, quando consultado sobre se pode vender novamente o poema "Mude", só fica mudo... Cala-se o sr. Paulo Lispector Valente - porque suponho não mais tenha ele coragem de "licenciar" novamente o uso de tal poema. Ora - eu pergunto -, se o poema foi realmente "escrito pela mamãe", por que não vendê-lo de novo a outras empresas?

Como se pode notar, tem alguma coisa inexplicavelmente suja nessa história...

Portanto, chega de hipocrisia e tergiversação!
Um dos dois está mentindo.

Mas a Leo Burnett diz ter convicção (e deseja ardentemente!) que o filho de Clarice está falando a verdade...

Veremos!


A ressalva.
Eu nunca conversei diretamente com nenhum dos "herdeiros de Clarice".
As opiniões que formo a respeito desses "herdeiros" são baseadas exclusivamente nas informações que sobre eles me transmitiu, oficialmente, o advogado da Leo Burnett e da Fiat, Dr. Durval Pace.


A Resistência.

Depois de mais de trinta meses ouvindo conversa fiada, o poeta liberou seu advogado para tocar adiante o processo Mude. Depois de mais de trinta meses de conversas inócuas e reuniões infrutíferas, Edson Marques vai ajuizar Ação Cível contra a Leo Burnett. Já que essa Agência não pôde respeitar a Poesia, vai ter agora, provavelmente, que respeitar a Lei.

Como disse Carlito Maia: Resisto!


Os personagens.

Fundamentalmente, eu só quero que os fatos sejam rigorosamente apurados.

Se eu acaso estiver exagerando neste modo livre e descontraído como exponho minhas idéias, algum Juiz de Direito poderá decidir, e talvez punir-me. Mas devo declarar que confio plenamente no Poder Judiciário do Brasil. E espero que os desonestos sejam simplesmente "encarcerados" - e não apenas metaforicamente...

Chega de contemporizar com esse tipo de gente!


Não vou desistir.

O esbulho.

Trata-se de um esbulho. Trata-se de uma espécie de "plágio póstumo" cometido por certas pessoas que se dizem "herdeiros de Clarice Lispector".

Trata-se, em suma, de "apropriação indébita" de um poema.

E isso tudo foi causado por Leo Burnett Publicidade Ltda. Essa agência é a principal responsável pela violação dos meus direitos autorais.

o próprio site biográfico de Clarice Lispector - aliás, muito bem feito - esclarece essa questão do poema "Mude", dizendo não ser ele de autoria de Clarice, mas sim de Edson Marques.


Alexandre Skaff, repito novamente, nesse caso específico, mentiu. Talvez ingenuamente, mas mentiu - e a Leo Burnett publicou declaração dele como se fosse verdade!

O então redator da Leo Burnett, Alexandre Skaff, ao ler esse meu poema na internet, certamente encantou-se com ele - porque é muito fácil encantar-se com tal poema - e, sem checar suas fontes, cometeu uma gafe: supôs ser verdade aquilo que era um erro. Deve ter copiado o poema de um dos sites que àquela época davam erradamente o nome de Clarice como autora. (Alguns sites também já deram como autores do poema "Mude", além de Clarice, Paulo Coelho e Cecília Meireles. Paulo Coelho negou, tanto em sua coluna no Jornal do Brasil, quanto recentemente no site
Guerreiros da Luz.).


Claro que os próprios releases inverídicos da Leo Burnett contribuíram, depois, para que esse engano fosse amplamente disseminado na internet. Muitos sites, baseados nas declarações falsas da Leo Burnett aos jornais, e acreditando nelas, passaram erroneamente a substituir o meu nome pelo de Clarice Lispector.


Afinal, ninguém seria capaz de questionar a "veracidade" dos releases de uma "agência tão conceituada como a Leo Burnett". E aqui reside uma das principais razões de eu estar pleiteando, junto à Leo Burnett, entre outras coisas, rigorosa, porém justa indenização moral pelo efeito devastador que tais mentiram causaram - e ainda causam - à minha imagem de escritor.

Em virtude das falsas alegações dessa agência passei a ser considerado, de certo modo, um "plagiador de mim mesmo" ...

Gastei muito tempo e muita energia (e ainda gasto muito tempo e muita energia) esclarecendo esses fatos, na internet e fora dela. Tudo porque a Leo Burnett, passados mais de dois anos, ainda recusa-se a consentir que, nesse caso do Mude, errou.


Também suponho que, não houvesse muito dinheiro envolvido (cinqüenta mil dólares), nem os "herdeiros de Clarice" teriam levado adiante essa farsa ridícula.


Aliás, é bom relembrarmos: Os herdeiros de Clarice venderam, ilicitamente, um poema escrito por Edson Marques e receberam dinheiro nessa transação.


O fato.

Vou reiterar certas coisas já ditas:

A Leo Burnett, ao criar o comercial institucional dos 25 anos da Fiat no Brasil, utilizou, sem minha autorização, um poema escrito por mim, cujo título é Mude.

Eis o fulcro da questão: o funcionário da Leo Burnett, Sr. Alexandre Skaff, à época redator criativo da agência, declarou ter "mergulhado na obra de Clarice Lispector", onde "encontrou o poema Mude" (sic), que serviu de "inspiração" para que fosse criado o referido comercial da Fiat. E a Leo Burnett, sem checar suas fontes, divulgou amplamente tais declarações - que eram (e ainda são) totalmente inverídicas.

Esse funcionário da Leo Burnett, em verdade, encontrou o poema "Mude" na internet... e inventou essa história de "mergulho na obra de Clarice" somente para demonstrar talvez algum refinamento intelectual que ele certamente não tinha. Alexandre Skaff, ao não checar suas fontes, comportou-se como um internauta inexperiente. Portanto, especificamente nas declarações sobre como encontrou o poema "Mude", Alexandre Skaff mentiu. E reafirmo isso, categoricamente, porque sou eu o autor do "Mude" - um belíssimo poema que até então havia sido publicado apenas na internet, com algumas exceções que não devo mencioná-las agora.


Afirmo tais coisas - com absoluta segurança - porque o poema "Mude" foi escrito por mim. Logo, todo aquele que afirmar ter encontrado o poema "Mude" mergulhando na obra de Clarice Lispector - só pode estar mentindo!

Repito:


Por que será que o sr. Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice Lispector, ainda não devolveu esse dinheiro sujo para a Leo Burnett?


Não me lembro bem qual é, mas sei que, no Código Civil Brasileiro, esse tipo de venda tem um nome...

Visto de qualquer ângulo - isto é vergonhoso!!!

O caso é tão absurdo, que pessoas ligadas à área de propaganda, custam a crer tenha ocorrido: Todos que têm um pouco de vivência na área de publicidade consideram inconcebível que uma Agência do porte da Leo Burnett possa ter sido tão irresponsável, como parece que foi, ao criar um comercial para seu maior cliente, a Fiat, então a maior montadora de automóveis do Brasil.

"É impossível que a Leo Burnett não tenha checado suas fontes ao produzir um comercial tão importante como esse..." - disseram a respeito vários jornalistas e publicitários. Eu mesmo, não fosse o próprio autor do poema "Mude", provavelmente pensaria da mesma forma. Porque qualquer pessoa familiarizada com a internet sabe que, antes de utilizarmos seriamente um texto copiado da rede, devemos checar as fontes. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso sabe disso - mas o sr. Alexandre Skaff demonstrou não saber. Em casos assim, checar as fontes é um procedimento primário. Qualquer agência criteriosa na escolha de textos costuma fazer isso...

Mas a Leo Burnett, neste caso, não fez.

A Leo Burnett, inexplicavelmente, não checou as fontes de um texto que seu funcionário deve ter copiado na internet. E, com base nesse texto - o poema "Mude", escrito por mim -, deu seguimento ao processo de "criação" do importante comercial da Fiat. Bastava que Alexandre Skaff tivesse usado uma ferramenta básica de busca e teria descoberto centenas de sites que publicam meu poema "Mude". Eis alguns:
Possibilidades.
Arte Livre.
Portal Economia.
Paulo Coelho - Poema "Mude" em espanhol.


Neste endereço se pode ver o fantástico
Comercial da Fiat..

Aliás, o próprio título do comercial é um plágio do título do meu poema. Ressalte-se, ainda, que esse filme ganhou Bronze no Prêmio Colunistas de 2002, na
Categoria Institucional, certame que teve como Presidente da Mesa o Diretor de Redação do Jornal Propaganda & Marketing, Marcello Queiroz.


A bem da verdade, é bom ressaltar o seguinte: o comercial da Fiat ficou belíssimo! A equipe de criação da Leo Burnett me parece competente. Eu não estaria sendo justo se dissesse o contrário. Aliás, tenho certeza de que a Fiat do Brasil fez uma excelente escolha quando optou pela Leo Burnett. Não é por ser eu parte evidentemente prejudicada (bastante prejudicada!) neste processo - o caso "Mude" - que vou questionar a competência criativa da Leo Burnett. Eu jamais teria razões para mandar meu poema à Diretoria da Fiat, recomendando, com talvez um verso a mais: "Mude de agência". Não! O erro da Leo Burnett - contra o qual luto sem tréguas - é em outro departamento. Toda empresa tem uma parte burra. Nessas coisas que tenho escrito e falado a respeito do caso "Mude", quando me refiro à Leo Burnett, eu gostaria de poder frisar que se trata apenas de uma parte dela - mas o discurso ficaria impraticável. Portanto, é bom que eu diga: não vou desistir, até que a Leo Burnett reconheça, publicamente, que o poema "Mude", utilizado sem minha autorização no comercial da Fiat, foi escrito por Edson Marques.

Há também um belíssimo vídeo feito pela designer
Camila Bossolan, antes do comercial da Fiat, utilizando o texto do meu poema "Mude". Demora cerca de um minuto para se fazer o download, mas vale a pena. A segunda versão pode ser vista aqui.



Eis um fato a ser considerado pela Leo Burnett e pelos "herdeiros de Clarice": Nem mesmo os profissionais dos
Bibliotecários Sem Fronteiras conseguiram encontrar o poema "Mude" na obra de Clarice Lispector...

Também aqui temos um site que defende os
Direitos Autorais e dá destaque ao caso "Mude".

Convenhamos, se não for resolvido logo, esse caso vai se transformar num escândalo que talvez possa manchar a honra da grande escritora Clarice Lispector.


Que a Leo Burnett não se preocupe com a honra de Clarice, tudo bem, é até compreensível. Mas, pelo que constatamos no caso do poema Mude, são os próprios herdeiros de Clarice que estão fazendo besteiras em nome da falecida!





À época da veiculação do comercial da Fiat pela TV Globo, em âmbito nacional, a Leo Burnett, em releases amplamente divulgados à mídia, dizia que o poema Mude havia sido escrito por Clarice Lispector (sic). Mesmo depois que, alertada por mim, a Leo Burnett pôde constatar que centenas de sites já publicavam esse poema como escrito por Edson Marques; mesmo depois que se descobriu que até o próprio site biográfico de
Clarice Lispector assegura claramente que o poema Mude NÃO FOI ESCRITO POR CLARICE, mas sim por Edson Marques; mesmo depois que a Revista Veja, na edição de 09 de julho de 2003, página 103, publicou esclarecimento a respeito, desfazendo o engano quanto à suposta autoria de Clarice Lispector; mesmo depois de tudo isso, repito, a Leo Burnett e seu advogado, estranhamente, diziam continuar com a convicção de que "Clarice escreveu o poema Mude" (sic).

Baseados em quê, não sei.

Isto porque, suponho eu, se a Leo Burnett deixasse de dizer que tem essa "convicção", teria que retratar-se. Teria de confessar que errou nos releases de julho de 2001.

Mas essa retratação, parece-me, só vai ocorrer por determinação judicial.

A necessidade de se manter essa absurda convicção talvez explique a virulência com que o advogado da Leo Burnett tanto defende o que diz que dizem os herdeiros de Clarice. Aliás, nesse caso, em vez de buscar a verdade, Dr. Durval Pace, lamentavelmente, se comporta como advogado dos herdeiros de Clarice. Durante cerca de dois anos eu insisti - por telefone, por e-mail, e pessoalmente - com esse advogado para que ele pedisse, aos herdeiros, provas de que Clarice havia escrito o poema Mude.

(Sabíamos e sabemos que
tais provas não existem, mas essa era uma maneira irônica de desmascararmos os "Comerciantes do Rio"...)

Dr. Durval dizia-me que solicitara tais "provas", mas os herdeiros não as mandavam...
Então, diante da minha insistência, mas só em agosto de 2003, conforme e-mails então enviados a mim, esse advogado acabou indo ao Rio de Janeiro - "buscar as provas" (sic).

Mas, como era de se esperar, voltou sem elas!

Simplesmente, porque tais provas não existiam - não existem, e jamais existirão.
A menos que se as falsifiquem... Pois, repito, não foi Clarice Lispector quem escreveu o poema Mude!


"Ir ao Rio buscar provas... " - e voltar sem elas! - isso tudo foi só um jogo de cena do advogado, da Leo Burnett e dos "herdeiros". Fossem sérios no trato dos Direitos Autorais; fossem verdadeiros os releases da Leo Burnett; fosse mesmo Clarice Lispector quem escreveu o poema Mude - tais provas já deveriam ter sido enviadas a São Paulo há muito tempo - por Sedex, por Correio simples, por um serviço particular de entregas, ou até mesmo no bico de um pombo...

Para mim, o comportamento dessa gente, visto de qualquer ângulo, além de insano e ridículo, é estarrecedoramente surrealista!

Ou seja, a Leo Burnett divulgou falsos releases à mídia - e agora parece que pretende que se torçam os fatos, talvez com a esperança infantil de que ocorra um milagre...

Aliás, meu senhores, sejamos racionais, ao menos uma vez: se Clarice tivesse mesmo escrito o poema Mude - a Fiat, a Leo Burnett, o advogado Durval Pace (e os herdeiros de Clarice) certamente não estariam conversando comigo - respeitosamente - por mais de dois anos!


Tenho escrito coisas que suponho
até melhores do que o poema Mude, mas é esse poema que faz sucesso, notadamente na internet. Aliás, é um texto que Antonio Abujamra utilizou em todas as apresentações da peça Mephistópheles, além de tê-lo interpretado no Programa PROVOCAÇÕES da TV Cultura. E que foi gravado no CD "Filtro Solar" do Pedro Bial, depois que firmei um Contrato de Licenciamento com a Sony Music.

E a empresa de telefonia
Claro também utilizou esse meu poema Mude em muitos eventos internos de Recursos Humanos.


Dizem que, dos textos poéticos em língua portuguesa - com exceção da obra de Fernando Pessoa - o poema Mude é o mais veiculado na internet.


Vejamos um breve histórico do caso Mude.(Este texto foi escrito em 2004...)

Eu passei mais de dois anos tentando obter da Leo Burnett uma "prova" de que o poema Mude havia mesmo sido escrito por Clarice Lispector (sic), conforme a própria Leo Burnett divulgou à mídia em julho de 2001. Uma "prova" que suportasse a alegada "convicção" que o advogado Durval Pace, reiteradas vezes, disse-me ter, ainda hoje, a Leo Burnett.

Nunca mostraram-me tal prova.

Pedi, várias vezes, que me mostrassem uma cópia do tal "Contrato de Licenciamento" do poema Mude, firmado, diz a Leo Burnett, com os "herdeiros de Clarice".

Não me mostraram tal Contrato até hoje (maio de 2005).

Por mais de dois anos tenho solicitado que apresentem o nome da obra de Clarice Lispector onde a Leo Burnett disse ter seu funcionário Alexandre Skaff "mergulhado" para "encontrar" (sic) o poema Mude, com o qual então criou-se o comercial da Fiat.

A Leo Burnett nunca apresentou-me o nome de tal obra.


Mediante acordo com Marcello Queiroz, então Diretor de Redação do Jornal Propaganda & Marketing, fiz publicar um anúncio (em julho de 2001), oferecendo dez mil dólares a quem me mostrasse tal "obra de Clarice" onde se pudesse encontrar o poema Mude.





Até hoje não apareceu ninguém para dizer-me o nome da obra, nem receber os dez mil dólares.


Depois, por e-mails e mediante Notificação Extrajudicial, ofereci esses dez mil dólares diretamente ao funcionário da Leo Burnett, Alexandre Skaff, e também aos "herdeiros de Clarice", visto terem eles demonstrado (falsamente, é claro) "certeza" de que o poema Mude fora "escrito por Clarice Lispector" (sic).

Nem Alexandre Skaff, nem os herdeiros de Clarice manifestaram-se a respeito.

Tenho pedido à Leo Burnett - até com Notificação Extrajudicial - algum documento, algum papel, algum bilhete, alguma "coisa" que me permita ver se a Leo Burnett, ou seu advogado, ou quem mais seja, não estão mentindo nesse assunto Mude.
sites biográficos de Clarice Lispector, repito, diz claramente que o poema Mude NÃO FOI ESCRITO POR CLARICE.


Mas parece que à Leo Burnett e ao seu advogado a verdade não interessa - se a verdade levar à necessidade de uma retratação pública por erros cometidos no que concerne à utilização não autorizada do meu poema "Mude" no comercial da Fiat.


A Leo Burnett, respondendo à Notificação Extrajudicial que mandei ao sr. Renato Loes, Diretor-Presidente dessa agência, chegou a ameaçar-me formalmente com Ações "civis e criminais" (sic) se eu tentasse levar adiante essa minha denúncia.


A Leo Burnett e seu advogado foram ainda mais longe: dizem, formalmente, que, se eu "insistir no pleito" (sic) de continuar afirmando que escrevi o poema que eu escrevi, inclusive pela via judicial, poderei ser considerado "litigante de má-fé" (sic)!

Essa Notificação, contendo tais ameaças, foi enviada a mim pelo Dr. Durval Pace, por Correio AR, em 16/03/2004, ao meu endereço no Guarujá.

Como se pode ver, uma ridícula tentativa de intimidação...

Parece que eles só querem uma coisa: que eu diga que não escrevi o poema que eu escrevi!

Eles querem que eu me cale!


Espero que a mídia, os biógrafos, os leitores de Clarice Lispector e o Poder Judiciário do Brasil ajudem-me a esclarecer essa questão.

E finalizo, reafirmando pela enésima vez: O poema Mude foi escrito por mim.

Edson Marques,

liberdata@hotmail.com

Detalhes podem ser vistos nas seguintes páginas da internet:
Desafiat ou Mude


Mas a Leo Burnett e seu advogado NUNCA me apresentaram coisa alguma. É só conversa fiada, papo-furado, falsas evidências, alegações primárias, suposições absurdas, reuniões infrutíferas, telefonemas, e-mails ? e uma terrível, inabalável e estúpida "crença", manifestada pela Leo Burnett e seu advogado, no que dizem que os herdeiros disseram. A Leo Burnett e seu advogado tratam os meus Direitos Autorais com absoluta displicência. Como se essa fosse uma questão de "fé". São recorrentes na estupidez.


O advogado Durval Pace, OAB/SP.107.437, em nome da Leo Burnett, continua dizendo, formalmente, que tem "crença", "convicção" e "certeza" de que "Clarice Lispector escreveu" (sic) o poema Mude.

Mas ficamos apenas nas "crenças, convicções e certezas"...


A Leo Burnett nunca me apresentou nenhum documento que suporte tais "crenças, convicções e certezas". Aliás, a Leo Burnett nunca apresentou-me documento algum, e ainda teve a coragem de dizer-me, em novembro de 2003, que não precisava de provas para manter sua "convicção" de que "o poema Mude foi escrito por Clarice Lispector"... (sic)!


Há mais de dois anos que venho tentando obter alguma resposta coerente da Leo Burnett.

Até hoje não consegui!

É preciso ressaltar (e repetir) que, em certas páginas da internet, além de "Clarice Lispector" (sic), também se diz (de forma igualmente errada) que o meu poema Mude foi "escrito por Paulo Coelho" (sic) ou "Cecília Meirelles" (sic). Então, por que é que a Leo Burnett não consultou também Paulo Coelho e os "herdeiros de Cecília"?


Não: a Leo Burnett diz ter consultado apenas os herdeiros de Clarice Lispector...

E os "herdeiros de Clarice Lispector", levando a "Lei de Gerson" às últimas conseqüências, firmaram com a Leo Burnett, às escondidas - por meio de terceiros -, um "Contrato de Licenciamento" do meu poema Mude para uso no comercial institucional da Fiat. Aliás, eu nem sei se esse Contrato absurdo realmente existe, posto que a Leo Burnett nunca mostrou-me tal documento.


E agora a Leo Burnett parece querer deixar as coisas como estão...

O que será - fosse viva - diria Clarice Lispector a respeito disso?

Será que Clarice consideraria "normal" que um seu "herdeiro" plagiasse, em nome dela, um poema escrito por Edson Marques?


Um dos principais




Em 09 de maio de 2004, enviei um outro e-mail ao advogado da Leo Burnett (cuja íntegra poderá ser lida nos Autos), que terminava assim:

(...)

Dr. Durval Pace, - à guisa de conclusão - preciso dizer que tenho hoje uma inquietante curiosidade, que posso, respeitosamente, resumi-la nas seguintes perguntas:

A Leo Burnett costuma não checar suas fontes, ou o caso Mude foi excepcional?

Depois de mais de dois anos de conversas, releases, consultas, pesquisas, telefonemas, viagens, e-mails, entrevistas, debates; depois de tudo isso, a Leo Burnett e V. Sa. ainda mantêm, nestes meados do mês de maio de 2004, a inexplicável, insólita e ridícula convicção de que o poema Mude foi realmente escrito por Clarice Lispector?

A Leo Burnett costuma agendar reuniões com qualquer pessoa que se diga autora de um texto utilizado eventualmente em comerciais dessa agência, ou a deferência especial ao escritor Edson Marques se deve a razões de outra ordem?

A Leo Burnett costuma designar advogados para atender qualquer
maluco que manifeste publicamente ser autor de algum texto utilizado pela agência em comerciais veiculados na TV?


Se a Leo Burnett e V. Sa. têm realmente a alegada "convicção" de que o poema Mude foi escrito por Clarice Lispector, como V.Sa. afirma formalmente, por que é que estão conversando comigo há mais de dois anos a respeito desse assunto? Já não seria hora de parar?


Se Clarice Lispector realmente tivesse escrito tal poema, por que razão estariam seus ?herdeiros? vindo do Rio de Janeiro a São Paulo, só para uma reunião comigo? Não consigo ver coerência nessa atitude deles -
salvo se estiverem trazendo as provas (até hoje não apresentadas) de que Clarice Lispector realmente escreveu o poema Mude. Continuo afirmando que declarações verbais, apenas, não bastam - e não serão aceitas por mim.

Quero provas!

Os herdeiros de Clarice pretendem vender mais algum poema meu - ou por enquanto basta o Mude?

V. Sa. e a Leo Burnett ainda mantêm a opinião de que o fato de eu ter registrado o meu poema Mude na Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura "corrobora a ausência de credibilidade nas [minhas] alegações" (sic) [de que tal poema foi escrito por mim]?

(Essa sua frase, Dr. Durval Pace, - dita oficialmente! - é tão absurda, tão desprovida de fundamento e tão desrespeitosa, que, por conta dela, pretendo ingressar com uma representação na OAB contra V. Sa.)


Quando já não houver mais saída honrosa, quando os "comerciantes do Rio" (os chamados "herdeiros de Clarice") forem desmascarados, a Leo Burnett vai finalmente reconhecer que errou nos releases de julho de 2001 - e que manteve o erro negando-o enfaticamente por mais de dois anos - ou pretende assumir a engraçadíssma postura de ser apenas um "terceiro de boa fé"?


Por que é que V. Sa., especificamente no caso da autoria do meu poema Mude, optou por encampar cegamente a esdrúxula tese dos herdeiros de Clarice, em vez de buscar um esclarecimento científico dos fatos?


Por fim, ironias inclusas, se a Leo Burnett e V. Sa.
acreditam mesmo que o poema Mude foi escrito por Clarice Lispector - e sobretudo em vista da minha postura inflexível quanto à certeza que tenho manifestado, publicamente, veementemente, rigorosamente, de que sou eu o autor do poema Mude, conforme Registro número 294.507, Livro 534, Folha 167, no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura - por que é que V. Sa., os herdeiros de Clarice e a Leo Burnett ainda não me denunciaram formalmente à Justiça?

(Eu sei por quê.)

Atenciosamente,

Edson Marques,


Contatos e endereços.

Edson Marques .... (11) 5442-1248 # (13) 8808-0278 # (11) 6676-7730 : liberdata@gmail.com

Durval Pace (advogado de Leo Burnett / Fiat) (11) 3289.5819 : durvpace@hzoia.com.br
Leo Burnett Publicidade Ltda .... (11) 5504.1300 : leoburnett@leoburnett.com.br

Otávio Ribeiro (advogado de Edson Marques) (11) 2941.7733 : oribeiro@aasp.org.br
Fiat - Lélio Ramos - Diretor Comercial .......... 0800.707.1000 : www.fiat.com.br

Denise Millan (Diretora de Atendimento) (11) 5504.2388 : denise.millan@leoburnett.com.br

Alexandre Skaff .............................................. Paradeiro desconhecido.

Paulo G. Valente ("herdeiro de Clarice") ........ (21) 3204.1717 :

Marcello Queiroz (Prop&Mark) (11) 6165-0766 : mqueiroz@propmark.com.br
Conar ............................................................... www.conar.org.br

Outros links no Blog MUDE

Lembrar-se de que o básico deste texto acima foi escrito em 2004.



Neste vídeo acima dizem que o texto é "de Pedro Bial", mas tudo bem... rs!


Todos temos uma inquietante curiosidade:

Por que o filho de Clarice cometeu essa enorme besteira de vender um poema alheio?